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PRIMEIRO DIA

Manhã, visita ao Monte
Junto ao mar, a Estátua da Autonomia é um bom ponto para partir à descoberta do Funchal. Seguimos na direcção do Mercado dos Lavradores, para aproveitar a frescura dos produtos acabados de chegar. Algum peixe ainda chega vivo, os vegetais e a fruta têm mil cores e ainda há artesanato que pode aqui ser comprado como recordação.

Embrenhamo-nos de seguida na Rua de Santa Maria, a primeira via urbana a ser aberta, pouco tempo depois da descoberta da ilha. Da original Capela do Corpo Santo, com a qual se vai deparar, erguida nos finais do século XV, apenas resta o portal e a estrutura gótica que se manteve nas campanhas de obras dos séculos seguintes. Foi levantada pelos pescadores em devoção ao seu santo padroeiro, São Pedro Gonçalves Telmo, e aqui funcionou a mais antiga confraria religiosa desta ilha.

Continuamos na direcção da Fortaleza de Santiago. Em 1566, o Funchal foi alvo de um ataque pelos corsários. Porém, só 48 anos depois, e apesar da iminência de outros ataques, é que se ergueu este forte. Hoje está mais vocacionado para fins culturais. Aqui se encontra o Museu de Arte Contemporânea e um restaurante muito agradável.

No regresso, mesmo no Jardim do Almirante Reis, há o Madeira Story Centre para visitarmos. Este museu interactivo convida a uma viagem de 14 milhões de anos de História da Madeira, desde a sua formação vulcânica até à actualidade, com muitas curiosidades e jogos didácticos pelo meio.

É em frente a este museu que podemos apanhar o teleférico para o Monte, um passeio possível apenas desde 2000. Por mais um euro, ouvimos a História da Madeira sem perdermos pitada da panorâmica sobre o Funchal. Em quinze minutos já nos encontramos na freguesia conhecida pelos seus carros de cesto.

Mal se chega, o Jardim Tropical Monte Palace dá-nos as boas vindas. Aqui encontramos uma das mais importantes colecções de azulejos de Portugal, exposta no meio da vegetação tropical. São preciosidades trazidas de igrejas, casas privadas e palácios de todas as partes do país. Os lagos também contribuem para o ambiente exótico do local.

Dirigimo-nos para a Igreja de Nossa Senhora do Monte para visitarmos o templo com mais de dois séculos de história. Aqui se encontra sepultado o último imperador austro-húngaro, Carlos Habsburgo, que após a Primeira Guerra Mundial se exilou nesta freguesia.

Já de seguida, vêm os carros de cesto, feitos em vime e assentes em esquis de madeira ensebados. São manobrados pelos carreiros, homens vestidos como manda a tradição: camisa, calças brancas e chapéu de palha. A viagem, de dois quilómetros, é uma experiência única, que apenas dura cerca de dez minutos. Há que apanhar um táxi para estarmos novamente no centro do Funchal, o qual se situa a cerca de três quilómetros.

Tarde, Centro Histórico do Funchal
No Museu do Bordado e da Tapeçaria ficamos a conhecer a importância dos bordados na casa madeirense na época do romantismo. São diversas as utilizações dos bordados, inclusivamente vemos exemplos de peças mais íntimas como roupa de dormir.

Vamos agora na direcção do Museu do Vinho onde nos explicam como era feito este néctar exclusivo da Madeira. Maquinaria original, mais algumas réplicas, fotografias antigas e documentos servem para percebermos todo o processo. No final, existe a possibilidade de fazer uma prova.

E chegamos ao Largo do Município. À sua volta estão a Câmara Municipal, o Museu de Arte Sacra, instalado no antigo Paço Episcopal, e a Igreja de São João Evangelista, igualmente conhecida pela Igreja do Colégio dos Jesuítas. O templo possui um conjunto de retábulos em talha dourada, o mais antigo datado de 1647. Vale a pena admirar a colecção de azulejos das oficinas portuguesas em Lisboa.

Muito do tesouro da Sé, peças em prata e outros metais preciosos, está exposto no Museu de Arte Sacra. A não perder a Cruz Processual de Prata portuguesa ,oferecida por D. Manuel I, e a importante colecção de pintura flamenga dos séculos XV e XVI, que chegou à Madeira como moeda de troca do precioso açúcar aqui produzido.

Descendo pela Rua João Tavira, ou mesmo pela Rua dos Ferreiros, chegamos à , mandada levantar em 1514 por D. Manuel I. No interior, destacam-se três ofertas reais: o púlpito, o altar-mor e a pia baptismal, ainda no local de origem. Motivo de admiração é ainda o cadeiral manuelino e a magnífica talha dourada.

Descemos agora em direcção ao mar. Em frente à marina, o Palácio de São Lourenço, do tempo dos Filipes, é já uma referência. Foi residência dos capitães e governadores da ilha, função essa que acabou por se sobrepor à de defesa, como o aspecto de fortaleza deixa adivinhar. A destacar, o Salão Nobre, a Sala Verde, ou a Sala de Audiências e os seus jardins interiores.

O próximo destino é o Parque de Santa Catarina com espécies de árvores provenientes de todos os cantos do Mundo. Aqui existe uma capela com o mesmo nome do parque edificada a mando de Constança Rodrigues, mulher de João Gonçalves Zarco.


SEGUNDO DIA

Manhã no Jardim Botânico e Parque dos Louros
Convém irmos com tempo e apetrechados com calçado adequado para conseguirmos ver as cerca de 2500 plantas, flores e árvores oriundas de todo o mundo presentes neste Jardim Botânico. As espécies estão divididas por áreas com nomes sugestivos como Suculentas, Aromáticas, Indígenas e Endémicas, só para citar algumas.

Este jardim oferece ainda mais dois bónus. Um é a vista espectacular sobre a Baía do Funchal; o outro é o Parque dos Louros. Papagaios, catatuas, periquitos australianos e outras aves exóticas e raras têm aqui morada. Os únicos que têm o direito de andar em liberdade são os pavões. O Museu de História Natural e o Herbário complementam a visita.

Tarde, de Câmara de Lobos à Ponta do Sol
Prevendo algum cansaço, à tarde sugerimos um passeio de carro. A poucos quilómetros do Funchal, Câmara de Lobos foi o local escolhido por João Gonçalves Zarco, um dos descobridores do arquipélago, para assentar morada. A origem do nome provém da quantidade de lobos marinhos encontrados nesta enseada quando Zarco aqui chegou.

Para ver a povoação bem como grande parte do concelho devemos seguir as indicações do Miradouro do Pico da Torre. Depois, ao entrarmos no centro da povoação, deparamos com o Miradouro Winston Churchill, uma homenagem ao estadista britânico que escolheu este local para pintar quando esteve uma temporada na Madeira.

Segue-se um passeio pela cidade. Junto ao cais onde repousam as embarcações aconselhamos a visita à Capela da Nossa Senhora da Conceição, fundada por Zarco em 1420. Não existe consenso, mas alguns autores defendem ter sido esta a primeira capela da ilha.

À noite as ruas enchem-se de gente desejosa de provar a famosa Poncha (sumo de limão, mel e aguardente de cana de açúcar), a Nikita (bebida doce e refrescante feita com cerveja, sumo de ananás, gelado e pedacinhos de ananás, com ou sem álcool) e o Pé de Cabra (vinho seco, cerveja preta, açúcar, casquinha de limão e chocolate em pó).

Ali perto, o cabo Girão oferece uma das melhores panorâmicas da ilha, um miradouro a 580 metros de altitude sobre o mar, a cidade do Funchal e o Estreito de Câmara de Lobos. É o promontório mais alto da Europa e o segundo do mundo.

Seguindo o recorte da ilha segue-se Ribeira Brava. Deu-lhe o nome uma ribeira que nasce a 327 metros de altitude e cujas águas desciam braviamente em direcção ao mar. Tem praia, de calhau rolado, no centro da vila.

O Posto de turismo encontra-se no Forte de São Bento, edificado no início do século XVIII. Chegou inclusivamente a servir de prisão.

A Igreja Matriz, cuja origem é uma pequena capela do século XV,  possui painéis de influência flamenga. A não esquecer o Museu Etnográfico da Madeira, instalado no Solar seiscentista de São José, anteriormente utilizado como unidade industrial para moer a cana de açúcar. Este espaço museológico expõe peças que dizem respeito ao modo de viver das gentes do arquipélago. Destaque para as colecções relacionada com algumas actividades tradicionais como a tecelagem, a pesca ou a viticultura.

Por fim, a Ponta do Sol, um dos concelhos que possui maior produção de bananas e a localidade mais quente de todo o arquipélago. Antes de chegarmos à vila, passamos pela Lagoa do Lugar de Baixo, um espaço natural único na região. As suas características naturais constituem um meio atraente para as aves migratórias. Um centro de interpretação instalado no local dá mais informação.

No centro da vila está a praia. Apesar de ser feita de calhau é muito procurada de Verão. A Igreja Matriz, dedicada a Nossa Senhora da Luz, está bem perto e guarda no seu interior uma capela do século XV. Nas suas costas encontramos a seiscentista Capela de Santo António, muito bem enquadrada junto à estrada.

Como, segundo se diz, este é o sítio da Madeira onde o sol mais se demora, aproveitemos o pôr do Sol para dar por terminado este dia de passeio.



TERCEIRO DIA

Manhã na Levada no Paul da Serra
Da Ribeira Brava, já nossa conhecida, embrenhamo-nos na Serra de Água, sempre por estrada, em direcção à Encumeada. Podemos aperceber-nos das marcas deixadas pelas inúmeras cascatas que aqui existiam mas que agora estão secas. As levadas, cursos de água aproveitados para a rega dos campos, vieram desviar a água para outras paragens. 

Chegados à Encumeada, encontramo-nos no centro da ilha. Esta localidade tem boa vista tanto para o mar do norte como para o do sul, já que se situa num topo. A crista da cordilheira que atravessa o interior da ilha é também observável.

O único grande planalto existente na Madeira, o Paul da Serra, a mais de 1500 metros de altitude, oferece paisagens únicas. É sítio indicado para fazer um percurso a pé por uma levada. Aconselha-se, no entanto, a companhia de um guia. Poderá depois levar carro para seguir viagem até Porto Moniz.

As levadas estavam destinadas a repartir por zonas mais sequiosas do sul, a água que brota das nascentes nos pontos mais altos. São obras colossais que atravessam toda a ilha.

Numa das que atravessa o Paul da Serra é possível encontrar árvores como o vinhático, o pau preto, til e o cedro da Madeira, assim como apreciar os diversos tipos de orquídeas que nascem junto à água. Ainda encontramos aqui o piorno, a giesta brava, uveiras da serra, dedaleiras e alecrim aos molhos. Na água das levadas vivem trutas. Os percursos pelas levadas oferecem assim, cenários como grandes penhascos, impossíveis de alcançar de outra forma.

A hora do piquenique é outra das mais esperadas. O almoço campestre comporta sandes, águas, frutas e doces. Comemos ao pé de uma queda de água e há brinde para os mais atrevidos, um banho de água fria. É fundamental contactar um guia para efectuar este passeio.

Tarde, de  Porto Moniz a São Vicente
Daqui seguimos em direcção de uma das mais antigas freguesias do norte da Madeira, Porto Moniz. A denominação deriva do sobrenome do nobre que terá casado com a neta de João Gonçalves Zarco e que ali viveu. Antes de chegarmos passamos pela Santa, uma povoação que tem um miradouro com boas vistas para Porto Moniz e o Ilhéu Mole.

A vila é conhecida pelas atractivas piscinas naturais de rochas vulcânicas e agora também pelo aquário, instalado no recuperado Forte de São João Baptista do século XVIII. Inaugurado em Setembro de 2005, apresenta 11 tanques representativos dos  diferentes habitats marinhos do arquipélago.

Um ano antes foi inaugurado o Centro de Ciência Viva que apresenta exposições regulares sobre Ciência. Até Dezembro de 2005 está patente a exposição "Ciência e Desporto".

A caminho de São Vicente passamos pelo Seixal, vila sobranceira ao mar. Para o interior, é de destacar, em Chão da Ribeira, a floresta Laurissilva, considerada Património Mundial Natural pela UNESCO.

Novamente no litoral, e prosseguindo pela estrada antiga, observamos o Véu da Noiva, uma queda de água que, devido à sua altura, jorra espuma pela encosta abaixo, fazendo lembrar esse adereço.

Por fim, São Vicente, nome com origem na lenda que diz que o dito santo terá aparecido na foz da Ribeira, na cova de uma rocha. A capela que tem o mesmo nome que a localidade, tem como principal característica o facto de ter sido construída dentro de num rochedo de basalto, no longínquo século XVII. Virada para o interior, era impossível ser avistada por mar, facto que valeu à povoação nunca ter sido atacada por piratas. Aliás, as casas encontram-se todas mais para o interior, encobertas pelos rochedos.

Vale a pena passear pelo casario de ruas apertadas pelas rochas orientadas pela Igreja Matriz.

As Grutas de São Vicente é outro dos lugares a visitar. As grutas formaram-se numa altura em que o Paul da Serra ainda estava em actividade vulcânica. Como a lava não era expelida, inseria-se nas rochas originando assim túneis no subsolo, atingindo como altura máxima os 6 metros e mais de um quilómetro de extensão. Junto às grutas está localizado o Centro de Vulcanismo que complementa a visita às mesmas. Um passeio de 20 minutos ao interior da Terra.

Aqui procura-se recriar, através de meios audiovisuais, os fenómenos relacionados com a evolução geológica das grutas, as erupções vulcânicas e o nascimento do arquipélago da Madeira. Junto ao centro, existe um belo jardim de plantas endémicas.

O regresso faz-se pela Encumeada, nossa conhecida, seguindo depois pela Serra de Água e culminando na Ribeira Brava, via Funchal.

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